A Prisão Tão Vasta:Civilização e Submissão

O conceito popular de “ascensão do homem à civilização” projeta para os olhos da mente uma luta sombria com um passado primordial, no qual os homens eram constantemente ameaçados por um mundo hostil, seguido por uma maior margem de segurança e iluminadas instituições da civilização. O homem pré-histórico está condenado ao limbo da selvageria por uma visão histórica convencional que raramente é questionada.

Resumidamente, essa visão sustenta que o desenvolvimento da agricultura possibilitou que as pessoas abandonassem a vida nômade e incerta da caça e da coleta, e que o fizeram de bom grado, tornando-se sedentárias. O bem-estar humano foi melhorado e a sociedade foi estabilizada aumentando a segurança do homem contra a fome, doenças, pobreza, incerteza sobre o futuro e o perigo de animais selvagens, tempestades e outras forças naturais. Como o cultivo de alimentos sustentou mais pessoas, a população aumentou rapidamente. A revolução agrícola, dizem, tornou possíveis instituições civilizadas como a arte e a religião, estruturou princípios éticos e morais e forjou relações entre os homens com base na compaixão e no respeito pelos direitos do indivíduo.

A objeção que levanto a essas declarações é simples: elas não são verdadeiras. Para cada homem cuja vida foi melhorada por aquela importante revolução neolítica, centenas perderam saúde, liberdade e dignidade social. Porque pra plutocracia que controla o registro da história, a cultura civilizada tornou-se uma máquina de propaganda para si mesma, que facilmente manipulou os ressentimentos dos camponeses e, ao redirecionar suas vidas distorcidas, ajudou a racionalizar o genocídio de caçadores-coletores, ampliando a fronteira agricultural. É uma tragédia digna de uma novela mexicana o surgimento inexorável do estado político.