História do Marxismo – Lukács

Então, o que é o marxismo cultural?Em resumo, acredita-se que produções culturais (livros, instituições etc.) e idéias sejam emanações de estruturas de poder subjacentes; portanto, devemos examinar e julgar toda a cultura e idéias com base em sua relação com o poder.

Seguindo essa premissa, os defensores dos perseguidos e oprimidos devem atacar formas de cultura que reinscrevem os valores da classe dominante e disseminar cultura e idéias que apóiam grupos “oprimidos” e causas “progressistas”. Contudo não, Como o marxismo do século XIX evoluiu para o “marxismo cultural” do século XX e a guerra cultural de nossos dias atuais, analisando somente alguns nomes mais proeminentes no Marxismo-Freudiano, Estruturalismo, Pós-modernidade, Novo Históricismo, etc.

O presente artigo não é exaustivo, pois o propósito é de ser mais didático possível.

György Lukács: A Reificação do Proletariado Na década de 1920, o marxista húngaro György Lukács começou a abordar uma contradição no dogma marxista ortodoxo: para Marx, a ideologia dominante da sociedade era uma “superestrutura”, um mero reflexo de sua estrutura econômica mais básica. Assim, a classe dominante de capitalistas que controlavam o dinheiro e os meios de produção também criavam e controlavam suas idéias dominantes.Mas uma revolução operária do tipo que Marx previu poderia, pensou Marx, apenas vir da classe subordinada, isto é, dos próprios trabalhadores. Surge então essa pergunta: o que convencerá os trabalhadores a se revoltarem quando as próprias idéias em suas cabeças forem implantadas por seus senhores superiores? Para responder a essa pergunta, Lukács, em sua História e consciência de classe (1923), defendiam uma concepção mais subjetiva da consciência de classe do que a de Marx.

Os trabalhadores (o proletariado) precisavam ter sua consciência elevada para reunir o apetite pela revolução. O atrito necessário para acender o pavio revolucionário viria daquilo que Lukács via como tensões inevitáveis na sociedade capitalista que se originou de sua tendência a disfarçar as relações contingentes entre as pessoas como relações aparentemente necessárias entre as coisas (um fenômeno que Lukács chamou de “reificação”). Uma instituição como uma fábrica ou uma universidade é, na realidade, um arranjo de relações humanas constituídas de maneiras particulares e contingentes, mas tratamos essas instituições como dados mais ou menos fixos.As tensões entre aparência e realidade não podiam deixar de surgir de várias maneiras (por exemplo, os salários dos operários são insuficientes para suportar algo além de um estilo de vida de subsistência) e quando os trabalhadores respondem a essas condições, como organizar sindicatos de trabalhadores para lutar contra essas práticas institucionalizadas e reificadas, isso gera represálias, rachaduras no chicote capitalista. E isso, por sua vez, levaria os trabalhadores a ver mais claramente o que era o que, quem estava com eles e quem estava contra eles. Assim, a consciência proletária seria elevada e romperia o cinto ideológico da classe dominante. A natureza contingente – e, portanto, mutável – da sociedade capitalista seria revelada.

O ponto principal para o restante desta história, no entanto, é o seguinte: o próprio processo de organização e agitação não era apenas um meio para atingir um fim (por exemplo, melhores condições de trabalho), mas também crítico para o desenvolvimento da consciência revolucionária, que deve ser cultivado para florescer. por sua vez, levaria os trabalhadores a ver com mais clareza o que era o que, quem estava com eles e quem estava contra eles.